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Andar é uma das primeiras capacidades que desenvolvemos, em geral antes de um ano e meio. Por ser corriqueira, por não requerer propriamente um aprendizado, a atividade muitas vezes não recebe a devida atenção. Porém, passadas mal dadas podem trazer, ao longo do tempo, sérias consequências para a saúde, como dores nas pernas e na coluna.
Isso ocorre basicamente porque os pés é que dão o sustento básico ao nosso corpo. Guilherme Veiga Guimarães, professor de práticas esportivas da USP, explica que toda vez que caminhamos transferimos o peso de uma perna para a outra. O impacto que o pé recebe a cada passo se propaga como uma onda, dissipando-se pela canela, pela bacia, até chegar à coluna. "A forma como pisamos altera o modo como recebemos esses choques, podendo sobrecarregar certas articulações e tendões", afirma Guimarães, que coordena o Laboratório de Atividade Física e Saúde do Instituto do Coração (Incor).
Há, basicamente, três tipos de pisada, classificados de acordo com a distribuição do impacto: neutra, propanadora (ou para dentro) e supinadora (ou para fora). Em geral, pessoas de pé chato tendem a pisar para dentro; pessoas com pé normal geralmente têm pisada neutra; para aqueles com pé côncavo (cuja sola toca menos o chão), não há uma tendência definida, segundo o especialista.
Com exceção da pisada neutra, as outras são problemáticas. "Elas podem, com o tempo, provocar o desgaste de nervos e músculos, deslocar o quadril e ainda gerar uma série de dores", afirma o professor da USP. Os efeitos são mais graves para quem está acima do peso ou pratica caminhada e corrida, pois a exigência sobre as pernas é maior.
O que fazer
Como identificar seu tipo de pisada? É simples. Basta verificar a sola de algum calçado que você tenha usado muito. Caso esteja gasta de maneira uniforme, sua pisada é neutra. Se estiver mais consumida do lado de dentro ou de fora, fique alerta.
Uma das possibilidades é usar calçados especiais, que ajudam a corrigir sua forma de pisar. "Eles são mais apertados em determinado lado, forçado a parte oposta à que a pessoa está acostumada a pisar", explica Guimarães. "Mas é preciso cuidado, pois, se você pisa para fora e comprar um tênis para quem pisa para dentro, suas dores podem aumentar ainda mais." Outro cuidado, a ser observado principalmente por praticantes de corrida, é evitar calçados largos ou apertados. Eles têm mais atrito com o pé, o que pode gerar lesões, e prejudicam a estabilidade, com possíveis reflexos nas articulações.
Os calçados especiais são mais caros, mas o custo-benefício compensa. "Vai sair muito mais barato do que um eventual tratamento contra os problemas causados por uma forma inadequada de pisar", diz o especialista. Se você usa sapatos que não têm adaptação para o formato do pé, recorra às palmilhas especiais. Elas cumprem a mesma função de corrigir a pisada.
Já em casos de dores mais extremas, a alternativa pode ser mesmo recorrer à fisioterapia. "Com esse tratamento, você vai fortalecer determinadas musculaturas para compensar o desequilíbrio gerado pela pisada", afirma o pesquisador do Incor.
O mais fácil mesmo é corrigir a pisada durante a infância, com palmilhas ou calçados ortopédicos. "Se o tratamento for iniciado até quando a criança tiver uns 5 anos, os resultados costumam ser muito bons. Depois dessa idade já fica mais difícil, pois a pessoa cria o vício de andar de determinado modo", comenta.
L.BR.GM.2011-06-01.0420





